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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aproximados

Muitas vezes, ao ouvir uma música ou ler um texto, nós acabamos assimilando aquela produção com certos momentos de nossa vida. Ela pode nos emocionar a ponto de fazer-nos chorar, rir e sentir arrepios em nossa pele. Esse não é um fenômeno raro, e todos que já consumiram arte algum dia de suas vidas já sentiram esse tipo de sentimento. Os poemas, as músicas, os romances e outras formas de artes são feitas tomando por base os sentimentos humanos como amor, alegria, tristeza ou raiva. Embora nós, humanos, carreguemos milhões de características capazes de nos distinguir em nossos DNA's, temos certezas que todos carregamos esses mesmos sentimentos.

Os sentimentos que nós atribuimos, por exemplo, às músicas que ouvimos, geralmente são assimilados de acordo com o ritmo, a melodia e as palavras cantadas daquela canção. Não raramente, esses sentimentos não possuem uma ligação direta com aquilo que o músico quis passar ao escrever a canção.  A principal causa desse fenômeno é o fato da música popular ser algo muito superficial, ou, ao menos ao ponto de admitir várias interpretações sobre o mesmo objeto. Não que isso seja algo que deprecie a arte, mas certamente a faz admitir uma gama variada de recepções e interpretações. Essa superficialidade é muito encontrada na música, onde as exigências de métrica e ritmo fazem as letras produto de um processo muito intelectual. Por mais que a harmonia e melodia passem muito sentimentalismo, na maioria das músicas as letras evidenciam o esforço para encaixar todas as sílabas em uma frase musical. 

Algumas, porém, fogem a esse padrão, e nelas conseguimos atravessar as notas e ver o sentimento que o interprete nos passa. Esses são exemplos raros como o, já resenhado, Plastic Ono Band do John Lennon. Nele, toda a sua mágoa com os Beatles e Deus e seu amor para Yoko são expostas em um disco extremamente sincero. Como não citar Mother? A poesia da música "Mother" é quase uma autobiografia da sua relação conturbada com os pais. Esse disco é um exemplo perfeito de como a arte pode não apenas nos sensibilizar quanto nos fazer sensíveis para um sentimento alheio. Ouvir esse disco é quase como ouvir uma sessão de terapia de John Lennon.

Outro exemplo que nos desperta sentimento de empatia é a música No Distance Left To Run do Blur. Nela, Damon Albarn canta a separação de sua namorada e a aceitação desse término. A música exala sinceridade, o timbre da voz da interpretação de Albarn não nos deixa dúvida, o que ele está contando é a sua história e como isso afetou ele. Em uma experiência quase sádica, ele nos leva a sofrer junto com ele durante os mais de 3 minutos da música. Nesse caso, a arte, muito mais que apenas representa um sentimento, mas nos mostra como podemos entender os outros e a nós mesmos a partir dela.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

The Vaccines Come Of Age

Em 2011, os The Vaccines lançaram seu disco de estreia e, um ano depois, com um gosto recente de banda estreante, eles lançam seu segundo disco, The Vaccines come of age.

O título, "The Vaccines Amadurecem" em português, poderia ser um sinal de afastamento daquela sonoridade simples e divertida do primeiro disco. Mas, felizmente, essa sonoridade característica ainda se faz presente ao longo das músicas. As canções ainda possuem a mesma aurea adolescente que permeou todo o disco de estreia.

Embora a banda permaneça ligada a suas raízes, houve evidentemente um amadurecimento, os riffs já se arriscam em mais acordes e ritmos diferentes. O som se assemelha as bandas dos anos 60, podendo os comparar aos The Zombies e Velvet Underground, ou melhor, uma mistura dessas duas bandas.

Se no disco anterior parecia faltar alguma coisa, nesse disco, a banda parece mais perto de preencher esse vácuo. Embora The Vaccines não acrescentem nada de novo, não se pode dizer que eles não façam música da melhor qualidade.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Playlist de Agosto

A playlist de agosto já está no ar. Nela homenageamos Elis Regina, que está com uma exposição no CCBB, com a música Upa, Neguinho. Também homenageamos a peça Arena Conta Zumbi que está em cartaz no CCBB que conta com essa música no espetáculo.

Outra homenagem que fizemos foi a Nelson Rodrigues e seus 100 anos. A música Pecado Original de Caetano Veloso serviu como trilha sonora para o filme A Dama do Lotação, baseado em história de Nelson e que contava com Sônia Braga em seu auge como protagonista.

Também nessa playlist se encontram as bandas Blur, Grandaddy, Okkervil River e Simon & Garfunkel. Aproveitem!

Playlist de Agosto by Gustavo Carapiá on Grooveshark

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Fiasco Brasileiro Nas Olimpíadas

Três medalhas de outro, algumas de prata e outras de bronze, imprecisamente, esse fora o saldo final da delegação brasileira nas Olimpíadas de Londres 2012. Podemos considerar isso um fiasco? Se analisarmos friamente os números, a resposta é sim. Em um país gigantesco e rico como é o nosso, esse é um resultado ridículo fruto da falta de políticas eficientes de apoio ao esporte.Mas falar disso é falar mais do mesmo.  O que eu queria mesmo questionar é: qual a real importância de um quadro de medalhas? Reunir países de todos os cantos do mundo para competir amistosamente em um evento que simboliza a paz entre os povos não é mais importante?

Criar atletas ultra-competitivos e deformados que só sabem fazer uma coisa de sua vida nunca deveria ser a prioridade de nenhum país. O ser humano não foi feito para fazer algo exclusivamente, o esporte é parte importante dessa existência, mas treinar seus pulos e malabarismos até arrebentar seus joelhos não deveria ser algo louvável. Não devo questionar a escolha de alguém, mas pressionar um indivíduo para a conquista de algo é uma atitude covarde.

As medalhas de ouro merecem o devido respeito, aplausos e congratulações. Mas igualmente os merecem a medalha de bronze suada, daquele que, mesmo sabendo que não haveria mais chances de ganhar ouro, fez o espirito esportivo falar mais alto. Também os merecem aqueles que nem medalhas receberam, mas enfrentaram todas as adversidades para representar seu país, que muitas vezes não o reconheceu. Ganhar é fácil, difícil é perder com graciosidade e honra.

Um país ganhar medalha é leviandade, mas um homem receber-la é grandiosidade e dentre todas, a melhor é a medalha do espírito esportivo. Ela não possui um material específico, pois ninguém se dignifica o suficiente para cedê-la a algum atleta. Nós não a vemos, mas a sentimos no peito do esportista que, independente da vitória ou derrota, sabe erguer a cabeça e reconhecer e amar seus adversários, não por ser melhor ou pior que ele, mas por reconhecer um igual.

sábado, 10 de março de 2012

Os 50 discos mais importantes (para mim) - 44

Acabou Chorare dos Novos Baianos
Esse disco lançado em 1972 figura entre a lista de obras-primas da cultura brasileira. Acabou Chorare é um verdadeiro caldeirão em que um bruxo misturou o melhor da música nacional internacional. Misturando a guitarra de Jimi Hendrix e a Bossa Nova de João Gilberto, os Novos Baianos conseguiram fazer um álbum cosmopolita e extremamente brasileiro.

Brasileiro como a competente guitarra de Pepeu Gomes, um dos melhores guitarristas do mundo, e a poesia das letras e violão de Moraes Moreira. Se alguém ainda duvida, esse álbum é a verdadeira prova de que a Música Brasileira é uma das melhores do mundo. Os Novos Baianos conseguiram juntar pandeiro, cavaquinho e guitarra em uma bagunça gostosa.

Acabou Chorare é um dos álbums, ao lado de Chega De Saudade de João Gilberto e Construção de Chico Buarque, que deviam constar no curriculum escolar brasileiro. Condensam-se no disco tudo que é bom e brasileiro. O disco perfeito e que não devia passar em branco para ninguém que se considera um verdadeiro apreciador de música.

domingo, 4 de março de 2012

O Assassino - Capítulo 3

"Caso tenha lido no briefing do trabalho, ela é uma importante jornalista de um grande jornal da cidade. Ultimamente, ela tem xeretado alguns dos meus negócios. Não passa de imprensa marrom e sensacionalista, mas um empresário com eu não pode deixar esse tipos de boatos se espalharem" disse-me Bianucci.

"Então, pelo visto, você quer que eu destrua essas informações difamatórias que ela tem sobre você? Não deve ser um trabalho difícil. Você sabe se ela tem uma cópia de segurança?"

"Com certeza não será difícil para alguém como você. Dificilmente ela possuiria uma cópia de segurança. A concorrência entre as mídias está muito acirrada. Quanto mais cópias, mais fácil de algum concorrente achar essas informações e publica-las como se fossem dele."

"O que as pessoas não fazem por um pouco de dinheiro, não é?"

"Sim," interrompeu Philip "as vezes as pessoas são muito sujas. Então, acho que o que nos resta é acertara como vai ser o pagamento"

"Okay, discutam essas coisas vocês dois. Preciso estudar um pouco mais esse alvo" peguei no envelope que antes havia recusado e me dirijo a saída do escritório.

"Você não sabe como será de valia para mim, até logo" se despedia Bianucci com um sorriso folgado no rosto.

sábado, 3 de março de 2012

Os 50 discos mais importantes (para mim) - 45

Plastic Ono Band de John Lennon
O que mais me impressionou nesse albúm foi a sinceridade latente dele. Talvez por conhecer alguma coisa da história dos Beatles e, consequentemente, também a de John Lennon; essa sinceridade ficou bem clara desde a primeira vez que o escutei. John gritava em suas letras tudo pelo o que ele tinha passado, seja nos Beatles ou durante sua infância.

O ano era 1970 e os Beatles tinham acabado de se dissolver. John, finalmente, se via livre daquele furacão de loucura que suas músicas o tinham posto desde Love Me Do. Para inaugurar essa fase, nada melhor do que exorcizar todos seus demônios. John acabara de fazer terapia primal e coragem não faltaria para ele tirar um pedaço seu e grava-lo em um novo vinil.

Um dos trechos mais bonitos que encontrei foi o da faixa God: "I was the walrus, but now I'm John". Essa frase sintetizava tudo pelo o que ele estava passando. Usando a figura da morsa da música I Am The Walrus como metonímia do mito John Lennon que foi criado durante sua época de Beatle, John manifesta o desejo de ser apenas John, a pessoa, com todas suas qualidades e defeitos.

Lennon seria baleado 10 anos mais tarde. Infelizmente, John não poderia escrever mais músicas; mas sua obra ainda perdurará por muitas décadas. O mito John Lennon ainda esta vivo e, o mais importante, sua alma está viva nesse disco. Se você escutar com bastante atenção esse disco do início ao fim, ainda poderá ouvir a batida do coração de John.