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terça-feira, 2 de julho de 2013

Servir e proteger?

"A PM só usa a força contra este tipo de 'manifestante' "

No dia 30 de junho, após os protestos no Maracanã, o twitter PMERJ, que pertence a nossa querida Polícia Militar, postou a foto acima com os seguintes dizeres: "A PM só usa a força contra este tipo de 'manifestante' ". Esse é um sintoma claro de que, além de agir com violência exacerbada, a polícia demonstra um profundo desconhecimento do que viria a ser a sua real função.

O lema da Polícia Militar é "servir e proteger", e nada mais justo que esperarmos que a polícia sirva e proteja a população. Mas não é isso que vemos, seja em caso de manifestações ou em outros casos. A polícia demonstra que ela existe para servir os poderosos e proteger a propriedade privada.

A ação dessa organização nos protestos nos permite pensar assim. Ao invés dela assegurar à população o direito de manifestação e garantir a segurança das pessoas, a polícia agride e aterroriza os manifestantes em uma suposta premissa de dispersar, que por si só se mostra desacertada pelo fato da população possuir o direito de ocupar as ruas.

Ao agir sob o comando do governo e, por conseqüência, da FIFA, fechando as ruas ao entorno do Maracanã, a polícia demonstra claramente a quem ela mostra serviço. Os manifestantes não fazem mais que o esperado ao tentar furar essa barreira que é a representação da exclusão da sociedade civil da participação das decisões sobre a cidade.

Mas, mesmo assim, muitos criticaram a ação dos grupos violentos. Não é nenhum absurdo dizer que houveram excessos por parte de alguns manifestantes nos protestos, porém a maioria age por uma causa justa. Muitos dos encapuzados e vestidos de preto (Black Bloc) exercem o papel de retardar a ação da polícia permitindo que os outros manifestantes fujam das bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Ou seja, ao usar a violência em grupos como o da foto, a polícia não está fazendo nada além de atacar quem está fazendo o trabalho que ela não faz, proteger a população. É nosso dever agradecer a polícia quando ela faz um bom trabalho, mas, definitivamente, ela não o está fazendo nessas últimas semanas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cheiro de Chuva




Já são 6 horas e a chuva continua a cair. Dizem que o cheiro de chuva não é nada senão o cheiro de terra molhada. Mas aonde estou, não pisamos mais na terra. Aqui, tudo é feito de concreto, asfalto e metal. E embora tudo seja feito de concreto, asfalto e metal, a chuva continua com cheiro de chuva. Mesmo que a altura desses prédios apinhados de gente escondida em seus apartamentos, me impeça de molhar o meu corpo.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Triturador de papel

Preciso de um triturador de papel,
sem dó ou piedade.

Que rasgue minhas provas,
recados,
cartas
ou atestados.

Que rasgue meu passado,
inventado e transcrito
numa folha de papel.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aproximados

Muitas vezes, ao ouvir uma música ou ler um texto, nós acabamos assimilando aquela produção com certos momentos de nossa vida. Ela pode nos emocionar a ponto de fazer-nos chorar, rir e sentir arrepios em nossa pele. Esse não é um fenômeno raro, e todos que já consumiram arte algum dia de suas vidas já sentiram esse tipo de sentimento. Os poemas, as músicas, os romances e outras formas de artes são feitas tomando por base os sentimentos humanos como amor, alegria, tristeza ou raiva. Embora nós, humanos, carreguemos milhões de características capazes de nos distinguir em nossos DNA's, temos certezas que todos carregamos esses mesmos sentimentos.

Os sentimentos que nós atribuimos, por exemplo, às músicas que ouvimos, geralmente são assimilados de acordo com o ritmo, a melodia e as palavras cantadas daquela canção. Não raramente, esses sentimentos não possuem uma ligação direta com aquilo que o músico quis passar ao escrever a canção.  A principal causa desse fenômeno é o fato da música popular ser algo muito superficial, ou, ao menos ao ponto de admitir várias interpretações sobre o mesmo objeto. Não que isso seja algo que deprecie a arte, mas certamente a faz admitir uma gama variada de recepções e interpretações. Essa superficialidade é muito encontrada na música, onde as exigências de métrica e ritmo fazem as letras produto de um processo muito intelectual. Por mais que a harmonia e melodia passem muito sentimentalismo, na maioria das músicas as letras evidenciam o esforço para encaixar todas as sílabas em uma frase musical. 

Algumas, porém, fogem a esse padrão, e nelas conseguimos atravessar as notas e ver o sentimento que o interprete nos passa. Esses são exemplos raros como o, já resenhado, Plastic Ono Band do John Lennon. Nele, toda a sua mágoa com os Beatles e Deus e seu amor para Yoko são expostas em um disco extremamente sincero. Como não citar Mother? A poesia da música "Mother" é quase uma autobiografia da sua relação conturbada com os pais. Esse disco é um exemplo perfeito de como a arte pode não apenas nos sensibilizar quanto nos fazer sensíveis para um sentimento alheio. Ouvir esse disco é quase como ouvir uma sessão de terapia de John Lennon.

Outro exemplo que nos desperta sentimento de empatia é a música No Distance Left To Run do Blur. Nela, Damon Albarn canta a separação de sua namorada e a aceitação desse término. A música exala sinceridade, o timbre da voz da interpretação de Albarn não nos deixa dúvida, o que ele está contando é a sua história e como isso afetou ele. Em uma experiência quase sádica, ele nos leva a sofrer junto com ele durante os mais de 3 minutos da música. Nesse caso, a arte, muito mais que apenas representa um sentimento, mas nos mostra como podemos entender os outros e a nós mesmos a partir dela.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

The Vaccines Come Of Age

Em 2011, os The Vaccines lançaram seu disco de estreia e, um ano depois, com um gosto recente de banda estreante, eles lançam seu segundo disco, The Vaccines come of age.

O título, "The Vaccines Amadurecem" em português, poderia ser um sinal de afastamento daquela sonoridade simples e divertida do primeiro disco. Mas, felizmente, essa sonoridade característica ainda se faz presente ao longo das músicas. As canções ainda possuem a mesma aurea adolescente que permeou todo o disco de estreia.

Embora a banda permaneça ligada a suas raízes, houve evidentemente um amadurecimento, os riffs já se arriscam em mais acordes e ritmos diferentes. O som se assemelha as bandas dos anos 60, podendo os comparar aos The Zombies e Velvet Underground, ou melhor, uma mistura dessas duas bandas.

Se no disco anterior parecia faltar alguma coisa, nesse disco, a banda parece mais perto de preencher esse vácuo. Embora The Vaccines não acrescentem nada de novo, não se pode dizer que eles não façam música da melhor qualidade.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Playlist de Agosto

A playlist de agosto já está no ar. Nela homenageamos Elis Regina, que está com uma exposição no CCBB, com a música Upa, Neguinho. Também homenageamos a peça Arena Conta Zumbi que está em cartaz no CCBB que conta com essa música no espetáculo.

Outra homenagem que fizemos foi a Nelson Rodrigues e seus 100 anos. A música Pecado Original de Caetano Veloso serviu como trilha sonora para o filme A Dama do Lotação, baseado em história de Nelson e que contava com Sônia Braga em seu auge como protagonista.

Também nessa playlist se encontram as bandas Blur, Grandaddy, Okkervil River e Simon & Garfunkel. Aproveitem!

Playlist de Agosto by Gustavo Carapiá on Grooveshark

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Fiasco Brasileiro Nas Olimpíadas

Três medalhas de outro, algumas de prata e outras de bronze, imprecisamente, esse fora o saldo final da delegação brasileira nas Olimpíadas de Londres 2012. Podemos considerar isso um fiasco? Se analisarmos friamente os números, a resposta é sim. Em um país gigantesco e rico como é o nosso, esse é um resultado ridículo fruto da falta de políticas eficientes de apoio ao esporte.Mas falar disso é falar mais do mesmo.  O que eu queria mesmo questionar é: qual a real importância de um quadro de medalhas? Reunir países de todos os cantos do mundo para competir amistosamente em um evento que simboliza a paz entre os povos não é mais importante?

Criar atletas ultra-competitivos e deformados que só sabem fazer uma coisa de sua vida nunca deveria ser a prioridade de nenhum país. O ser humano não foi feito para fazer algo exclusivamente, o esporte é parte importante dessa existência, mas treinar seus pulos e malabarismos até arrebentar seus joelhos não deveria ser algo louvável. Não devo questionar a escolha de alguém, mas pressionar um indivíduo para a conquista de algo é uma atitude covarde.

As medalhas de ouro merecem o devido respeito, aplausos e congratulações. Mas igualmente os merecem a medalha de bronze suada, daquele que, mesmo sabendo que não haveria mais chances de ganhar ouro, fez o espirito esportivo falar mais alto. Também os merecem aqueles que nem medalhas receberam, mas enfrentaram todas as adversidades para representar seu país, que muitas vezes não o reconheceu. Ganhar é fácil, difícil é perder com graciosidade e honra.

Um país ganhar medalha é leviandade, mas um homem receber-la é grandiosidade e dentre todas, a melhor é a medalha do espírito esportivo. Ela não possui um material específico, pois ninguém se dignifica o suficiente para cedê-la a algum atleta. Nós não a vemos, mas a sentimos no peito do esportista que, independente da vitória ou derrota, sabe erguer a cabeça e reconhecer e amar seus adversários, não por ser melhor ou pior que ele, mas por reconhecer um igual.